Hospital Sagrado Coração de Jesus, que está sob intervenção judicial, entra com pedido de RJ
O Hospital Sagrado Coração de Jesus (HSCJ) ingressou, nesta quarta-feira (26), com medidas cautelares preparatórias ao pedido de recuperação judicial. A instituição, que está sob intervenção judicial e é referência médico-hospitalar em Nerópolis, na região metropolitana de Goiânia, busca assegurar a continuidade de suas atividades. As cautelares, registradas nos autos nº 5980657-68.2025.8.09.0112, foram apresentadas com a finalidade de manter o funcionamento da unidade, que permanece em operação plena.
Com mais de 370 profissionais vinculados ao SUS, entre eles 98 médicos, o HSCJ mantém estrutura composta por 14 consultórios, quatro salas de enfermagem, cinco centros cirúrgicos e 31 leitos. A unidade dispõe ainda de 33 leitos clínicos, 50 de UTI adulto e cinco destinados ao isolamento, além de áreas específicas para obstetrícia cirúrgica, clínica obstétrica e pediatria.
O administrador judicial, Stenius Lacerda Bastos, informou que as medidas requeridas têm por finalidade preservar a função social do hospital, garantir a manutenção dos serviços essenciais e viabilizar a superação da crise econômico-financeira, agravada por conflitos societários e de governança. Segundo ele, o objetivo é “preservar a fonte produtora, garantir os empregos e resguardar os interesses dos credores”.
Stenius, que assumiu o cargo há 15 dias, destacou que o relatório apresentado na ação de exclusão de associado por justa causa c/c declaratória de inelegibilidade (autos nº 5353135-18.2025.8.09.0112) já apontava para a necessidade de reestruturação. O documento registrou problemas como concentração de poder e falta de transparência, entraves à fiscalização e atuação personalista na gestão da entidade.
Entre as irregularidades identificadas, o administrador mencionou: ausência de estoque mínimo para funcionamento seguro; débitos com colaboradores e médicos; presença de empresas atuando dentro da estrutura física do hospital; descontinuidade de contratos essenciais; inconformidades sanitárias e de segurança; ausência de registros contábeis íntegros, atualmente em auditoria; precariedade de caixa e fluxo de receitas; e cobranças de débitos sem comprovação adequada de entrega de produtos ou prestação de serviços.
Concluídos os primeiros 15 dias da intervenção judicial, Stenius afirmou que os diálogos com a Prefeitura de Nerópolis e com os representantes das partes têm avançado de forma colaborativa. O processo está sob condução da juíza Roberta Wolpp Gonçalves, titular da 1ª Vara Cível da comarca.
Fonte: Rota Jurídica
